Associação Brasileira do Agronegócio da Região de Ribeirão Preto
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Monte Alto

Agronegócio é festa em Monte Alto

Um milagre marca a entrada do agronegócio na cidade de Monte Alto. Tudo começou com o comendador Constantino Castro Ribeiro, em 1943. Depois de viver 23 anos em São Paulo, aonde chegou aos 20 anos, em 1920, fundou na cidade a “Castro Ribeiro Agro Industrial S/A” (Crai), para fabricar bolachas, extrato de tomate e doces de mamão, figo, goiaba, banana, pêssego, damasco, marmelada, abacaxi...

E os pequenos agricultores locais passaram a plantar para ver sua produção virar doces na Crai, e na Cica e na Peixe, que vieram atrás. Aos poucos, o café e o algodão perderam espaço. Em 1950, Constantino decidiu trazer de Portugal para o Brasil o corpo de sua irmã, Maria Izilda, que morreu em 1911, com 14 anos. Ele contou que o corpo estava intacto. Bastou, para que histórias de milagres se espalhassem. Em 1958, a menina Izildinha, cujo retrato ilustrava e marcava os produtos da Crai, foi sepultada definitivamente em Monte Alto. A produção agroindustrial não parou de crescer. O mamão em fruta e em doce, fez a fama da cidade, tanto quanto Izildinha. Monte Alto foi a “Capital nacional do mamão”.

Mas um vírus dizimou os mamoeiros. Ninguém desanimou. “Essa agroindústria, cada vez mais forte, e a agricultura diversificada são decisivas para nós”, afirma o prefeito Aparecido Donizete Sartor. “Elas garantem 60% da receita de R$ 25 milhões anuais para a Prefeitura, e geram emprego em todos os níveis.”. Uma fábrica francesa de borracha sintética, uma indústria mecânica, uma americana de adubo químico e outra de redutores participam dessa riqueza, promovida por mais de 20 agroindústrias, que fazem de doce de leite e tomate seco ao beneficiamento e processamento de soja. Entre essas empresas estão a Reymax, a Hori, a Cepera e a Fugita, herdeira da Cica, que produz com essa marca, em regime de terceirização, doces de goiaba, batata-doce, marmelada e comercializa cebola.

“Na papinha do bebê, no picles e na pizza dos adultos, há cebola de Monte Alto; até cebola doce, que não faz chorar...”, diz João Gilberto Ulian, gerente de vendas da Fugita. Monte Alto já é a terceira produtora de cebola do Brasil. Na safra passada, foram 17.500 toneladas, com uma produtividade de 25 toneladas por hectare. A irrigação de quase um terço do que se planta no município garante manga, goiaba, limão, cebola, pinha, tomate, milho, berinjela, feijão, abóbora, quiabo, pimenta, jiló, pepino — e emprego — o ano todo. Vera Lúcia Palla, engenheira-agrônoma da Secretaria da Agricultura, aponta 809 propriedades rurais no município, 81% delas com menos de 50 hectares:

“Essa mão-de-obra familiar é trabalho garantido. Mas o que falta a eles é união, para organizar a produção e fugir dos atravessadores, que ficam com o que as indústrias não suportam receber”, afirma Vera Lúcia. Ela aposta no projeto da Secretaria de formar uma associação ou cooperativa com esses pequenos produtores, para evitar a superprodução e diminuir a vulnerabilidade deles. Essa cidade de 45 mil habitantes e 120 anos, a 16 quilômetros de Jaboticabal, traz em seu brasão um ramo de café, hoje reduzido a uma lavoura de 30 hectares, e outro de jabuticaba, para homenagear a vizinha.

Orgulha-se de ser sede dos museus de Paleontologia e Arqueologia e da primeira edição dos Jogos Abertos do Interior, que Baby Barione criou ali em 1936. Mais: realiza 22 festas por ano, de fevereiro a dezembro. Por quê? Carlos Tadeu Nogueira, diretor de Indústria e Comércio da Prefeitura, explica: “Agroindústria, agricultura familiar, safra o ano inteiro mais devoção religiosa dão nisso...”.


Dados:
Cana: 560 mil toneladas
Laranja: 6,12 milhões de caixas
Milho: 4,9 mil toneladas
Manga: 22,3 mil toneladas
Cebola: 17.500 toneladas
Goiaba: 10,5 mil toneladas


Agosto/2001

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