Associação Brasileira do Agronegócio da Região de Ribeirão Preto
Capital Brasileira do Agronegócio

ÁREA DE ATUAÇÃO

São José da Bela Vista

São José da Bela Vista: semeando tempos melhores

Foi no final do século XIX, com o início do cultivo do café no Norte do Estado de São Paulo, que muitas famílias foram atraídas para a região onde hoje se situa São José da Bela Vista. Das pequenas comunidades surgiu o patrimônio de São José das Pitangueiras, entre os Ribeirões Buritis e Lageado. A data de fundação do povoado, 19 de março, dia santificado a São José, deu origem ao nome de São José, o Bela Vista veio depois, uma alusão à área, praticamente plana, de onde se avistavam longas distâncias. Desmembrada de Franca em 1948, São José da Bela Vista foi elevada a distrito no ano seguinte.

Hoje São José da Bela Vista tem cerca de 8.500 habitantes, é considerada uma cidade dormitório, já que sua proximidade com Franca, 30 quilômetros, e com outras cidades inibiu o surgimento de indústrias e limitou o comércio local. Além disso, o trabalho no campo, o maior empregador, não atrai os mais jovens. A falta de emprego na cidade não chegava a ser um problema, pois havia sempre vagas nas indústrias calçadistas e nas agroindústrias de outras cidades, mas com a crise e as demissões em larga escala, São José da Bela Vista começa a buscar outras alternativas.

O prefeito que assumiu no início de janeiro tem o perfil da maioria dos prefeitos eleitos na região, pouco mais de 50 anos e agricultor. José Benedito Barcelos nunca foi político. Era um cidadão inconformado com a situação de sua cidade, e diz que saiu do desafio da agricultura para assumir um ainda maior, a administração pública. Eleito com 40% dos votos, em menos de três meses de trabalho diz que já conta com a confiança da maioria da população. 81% acreditam que ele vai resolver os problemas da cidade. E problema é o que não falta. Para começar, na área da saúde não havia médico na cidade. Os moradores eram atendidos em Franca. 5 ambulâncias faziam, cada uma, de 7 a 10 viagens por dia.

O custo deste “remendo”: combustível, horas-extras, desgaste do veículo, pagamento à Santa Casa de Franca, entre outros, era maior do que contratar médicos plantonistas. Um convênio feito com uma Cooperativa de Serviços Médicos garante, por R$ 1.200,00 por dia, assistência profissional nos três períodos em São José da Bela Vista. Além disso, foram contratados especialistas: um cardiologista, um ginecologista e um pediatra que atendem uma vez por semana. Um antigo posto de saúde está sendo transformado em Santa Casa. O estatuto e o registro estão prontos.

Falta o reconhecimento do Ministério da Saúde. Na área da educação, mais trabalho. As notas do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) dos alunos do 1ª ao 5ª ano da cidade são as piores da região, segundo a administração local. Os estudantes da escola municipal ingressam no 6º ano na rede estadual, muitas vezes sem saber ler ou fazer contas satisfatoriamente. Mesmo assim, sobrava dinheiro da educação. Como a verba do Fundeb não pode ter outro destino que não a educação, o que “sobra” costuma ser rateado entre os funcionários e os professores.

Em 2008 sobraram R$ 220.000,00, que renderam cerca de R$ 9.000,00 para cada um, contou o prefeito. Mas o dinheiro será mais bem usado. A prefeitura abriu concurso para 66 vagas na educação, para professores assistentes e funcionários administrativos. Cada classe terá dois professores para atender melhor aos alunos. No futuro o plano é melhorar a estrutura física das escolas e creches. Da infra-estrutura local, a rede de tratamento esgoto, com 100% coletado e tratado, feita há 4 anos pelo governo estadual, é o único motivo de orgulho. Dois bairros não têm asfalto, e onde ele existe os buracos tomam conta. Água é um problema sério, não há com qualidade nem em quantidade. O abastecimento é interrompido antes da hora do almoço e só restabelecido depois das 5 da tarde. Ninguém paga pela água. Os hidrômetros estão desativados nas casas.

Como cobrar se não há qualidade? Está é a dúvida do novo prefeito. Sem aterro sanitário, a cidade paga R$ 7.000,00 por mês para depositar seu lixo no município de Guará. Não bastassem estes problemas, a arrecadação caiu. Dependente do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), a cidade perdeu R$ 40.000,00 de repasse no mês de janeiro, 1/6 do total, devido à diminuição na arrecadação federal. Mas o prefeito agricultor é um batalhador, um otimista. Já mudou o rumo de alguns setores. Conseguiu a construção de 150 casas populares e verba para a construção de um centro de convivência para idosos. Está negociando a efetivação de um delegado na cidade; e a compra de terreno para a construção do aterro sanitário. Alugou um antigo barracão e está subsidiando o aluguel de bancas de pesponto de sapatos para os empresários que quiserem se instalar na cidade.

O plano é, no futuro, ter um mini distrito industrial. Segundo o prefeito agricultor é mais um ciclo: jogar a semente no chão, cuidar, mas também torcer para “ter sol e chover na hora certa”.


Dados:
Propriedades: 368, sendo 61% menores que 50 ha
Cana-de-açúcar: 18.700 ha
Café: 1.700 ha
Soja: 2100 ha
Milho: 440 ha
Pastagem: 3.500 ha
Pecuária de Corte: 5.000 cabeças
Pecuária de leite: 3.000 cabeças
Frango/corte: 140.000 cabeças
Frango/ovos: 2.000 cabeças

Fonte: Lupa/ CATI 2008.


Janeiro e Fevereiro/2009

Av. Luiz Eduardo de Toledo Prado, 870 - sala. 510 - Iguatemi Empresarial - Vila Golf - CEP. 14027-250 - Ribeirão Preto - SP
Fone/Fax: (16) 3623-2326 - abagrp@abagrp.org.br